VI OLIMPÍADA REGIONAL DE CIÊNCIAS - 2004

Primeira Fase

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Folha de Questões

Folha de Respostas (gabarito)



1. Cruzadinha (Biomas Mundiais)

a. Caracteriza-se por quatro estações do ano bem definidas: no outono as plantas decíduas perdem as folhas e no inverno entram em dormência, pois os solos podem ficar congelados por muitos meses.

b. Caracteriza-se por uma densa cobertura vegetal que barra a entrada da luz solar, grande quantidade de chuvas, alta umidade e sombreamento.

c. Caracteriza-se por solos permanentemente congelados (permafrost), sendo que no verão, uma pequena camada superficial do solo fica livre do gelo. Existe uma riqueza de fósseis que ocorre devido ao gelo permanente e a inexistência de organismos decompositores.

d. Este Bioma apresenta baixa evaporação, sendo comuns lagos e pântanos. Ocorre em temperaturas extremas que variam entre –50o a 35o. O inverno dura mais de 6 meses e é caracterizada por uma persistente cobertura de neve. Apresenta uma vegetação sempre verde, ou seja, a maioria de suas árvores nunca perde as folhas no inverno.

e. Caracteriza-se por grande amplitude térmica; ausência de barreiras para o vento aumentando a evaporação e os efeitos da seca; curto período chuvoso no qual ocorre a reprodução vegetal.

f. Caracteriza-se pela presença de regiões arborizadas e de vegetação rasteira, sendo que estes últimos podem encontrar-se alagados. O clima caracteriza-se por invernos com temperaturas baixas e ocorrência de geadas.

g. Caracteriza-se por vegetação esparsa e pastagens, o solo recebe uma grande quantidade de luz solar e as plantas possuem raízes longas para alcançar o profundo lençol freático. É comum a ocorrência natural de incêndios.

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2. Relacione as espécies descritas a seguir com o bioma onde vivem.


Lobo-guará - Chrysocyon brachyurus

É o maior canídeo sul-americano. É solitário, mais ativo no início da manhã e final da tarde. Possui porte esguio com pernas longas, que facilitam a locomoção e a visualização sobre vegetação herbácea alta, comum no bioma onde vive. Possui mandíbulas fracas e se alimenta de vegetais, frutas silvestres, pequenos animais e ovos. Depende do fruto da lobeira (Solanum lycocarpum) que serve como um remédio contra a parasitose renal, sem o qual o animal morre.

Umbuzeiro -Spondis tuberosa

Árvore de pequeno porte (menos de 6m de altura), vida longa (até 100 anos), frutífera, xerófila (adaptada a ambientes secos). É capaz de se desenvolver em solos pobres e por possuir batatas que armazenam água em suas raízes agüenta longos períodos de seca.

Flamingo - Phoenicopterus ruber

Seu pescoço e pernas são muito longos, a plumagem do adulto é notavelmente vermelha, contrastando com a ponta preta do bico. Em pé, pode medir 1,5 m e pesar em torno de 1,8 Kg. Ocorrem em pântanos, lagos salgados, lagunas de água salobra. Pesca em água rasa com o pescoço curvado para baixo, de tal maneira que a maxila fica voltada para o fundo lodoso. Filtra com bico o alimento composto de pequenos animais aquáticos, tais como larvas de moscas, moluscos, pequenos crustáceos e algas.

Lagartixa-da-areia - Liolaemus lutzae

Sua coloração cinza com uma faixa laranja nas costas e pequenas tiras brancas e marrons nas laterais se confunde com a cor do ambiente. Sua alimentação inclui pequenos artrópodos, como aranhas, formigas, besouros, cigarrinhas, percevejos, pequenas baratas e partes de folhas e flores de algumas plantas.

Barbatimão - Stryphnodendron barbatiman

Árvore que pode medir entre 4 e 6m. Possui caule e ramos bastante tortos, com poucas folhas e recoberta por casca de aspecto rugoso. Ocorre em terrenos arenosos ou argilosos bem drenados e pouco férteis. Sua casca a protege contra o fogo, que é comum no ambiente em que vive. Rebrota após corte, persistindo em pastos onde se cria gado, a ponto de ser considerada por pecuaristas como daninha. A casca é bastante utilizada no curtimento de couro e possui propriedades cicatrizantes.

Avicênia - Avicennia germinans

Cresce de 3 a 12 m de altura, principalmente em solos salobro. Seu sistema de raízes consiste em longas raízes-escora crescendo abaixo do solo, que produzem centenas de pneumatóforos (raízes que funcionam como órgãos respiratórios em lugares úmidos) na água ao redor da árvore. Estas estruturas têm numerosos poros que conduzem o oxigênio para todo o sistema de raízes da planta. Suporta grandes quantidades de chuva e altas temperaturas (25 a 26,5°C).

Mocó - Kerodon rupestris

Roedor que vive entre rochedos e lages de pedra onde é mais úmido. Constrói abrigos em buracos ou fendas nas rochas e isso o ajuda a escapar do calor excessivo mesmo nos períodos de seca prolongada (comum na região onde vive). Apesar de seu tamanho (o adulto pode atingir 50cm), ele é muito dócil e apreciado por sua carne. É um animal endêmico (só é encontrado nessa região).

Salsa-da-praia - Ipomoea pes-caprae, Sweet

É uma planta pioneira encontrada em praias e dunas ao longo da costa do Oceano Atlântico e em ilhas da África Central, Índia, Ásia e Austrália. Está sempre em companhia do Alecrim da Praia. Pode se estender por até 10 m. Vive em locais com água salobra como praias inundadas com água do mar e com ventos fortes. Tolera altas temperaturas, áreas de chuvas sazonais (uma estação seca uma chuvosa). Sua distribuição é limitada pelo clima, pois não tolera frios prolongados.



A. Caatinga

B. Cerrado

C. Restinga

D. Mangue

B  )Lobo-guará

A  )Umbuzeiro

D  )Flamingo

C  )Lagartixa-da-areia

B  )Barbatimão

D  )Avicênia

A  )Mocó

C  )Salsa-da-praia



3.

Quase toda a reserva de nutrientes necessários ao crescimento dos vegetais da Amazônia se encontra nas próprias árvores, que se renovam por meio de um processo de reciclagem. As folhas e os ramos mortos, ao cair no solo, formando os montes de serapilheira, são rapidamente decompostos pela ação de milhões de fungos, bactérias e outros devoradores de detritos, liberando, assim, nitrogênio, fósforo, potássio e outros nutrientes. Estes, por sua vez, são rapidamente reabsorvidos pelas raízes das próprias plantas ou das plantas novas que se desenvolvem a partir de sementes caídas. Por esta razão, se examinarmos com cuidado o solo sob a vegetação da Amazônia, observaremos a existência de apenas uma fina camada de terra escura, contendo húmus ou material fertilizante. Logo abaixo, encontraremos um solo amarelado, formado de areia e argilas, pobre em substâncias nutritivas.

Branco, Samuel Murgel. O meio ambiente em debate. São Paulo, Moderna, 1997.

Se esta floresta for derrubada:

I.   A fina camada de húmus poderá garantir o renascimento rápido de uma vegetação natural de novo porte, originando uma comunidade mais pobre.

II.  Novas plantas crescerão rapidamente levando ao restabelecimento da mesma comunidade.

III. Retirando a densa cobertura vegetal, as chuvas freqüentes na Amazônia atingiriam diretamente o solo, desestruturando-o e “lavando” seus nutrientes, tornando-o cada vez mais arenoso.

IV. As plantações de milho, cana e outros vegetais, nessa área sempre seriam produtivas, propiciando o desenvolvimento da região.

V. O desmatamento levaria a uma diminuição da quantidade de O2 na atmosfera, comprometendo desta forma a vida no planeta.

As afirmativas corretas são:

(A) I, apenas

(B) I e III

(C) II, IV e V

(D) I e IV

(E) II, III e V



4. (ENEM-2003)

Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostraram o processo de devastação sofrido pela Região Amazônica entre agosto de 1999 e agosto de 2000. Analisando fotos de satélites, os especialistas concluíram que, nesse período, sumiu do mapa um total de 20 000 quilômetros quadrados de floresta. Um órgão de imprensa noticiou o fato com o seguinte texto:

O assustador ritmo de destruição é de um campo de futebol a cada oito segundos.

Considerando que um ano tem aproximadamente 32 x 106 s (trinta e dois milhões de segundos) e que a medida da área oficial de um campo de futebol é aproximadamente 10-2 km2 (um centésimo de quilômetro quadrado), as informações apresentadas nessa notícia permitem concluir que tal ritmo de desmatamento, em um ano, implica a destruição de uma área de:

(A) 10.000 km2, e a comparação dá a idéia de que a devastação não é tão grave quanto o dado numérico nos indica.

(B) 10.000 km2, e a comparação dá a idéia de que a devastação é mais grave do que o dado numérico nos indica.

(C) 20.000 km2, e a comparação retrata exatamente o ritmo da destruição.

(D) 40.000 km2, e o autor da notícia exagerou na comparação, dando a falsa impressão de gravidade a um fenômeno natural.

(E) 40.000 km2 e, ao chamar a atenção para um fato realmente grave, o autor da notícia exagerou na comparação.



5. (ENEM-2003)

Sabe-se que uma área de quatro hectares de floresta, na região tropical, pode conter cerca de 375 espécies de plantas enquanto uma área florestal do mesmo tamanho, em região temperada, pode apresentar entre 10 e 15 espécies.

O notável padrão de diversidade das florestas tropicais se deve a vários fatores, entre os quais é possível citar:

(A) altitudes elevadas e solos profundos.

(B) a ainda pequena intervenção do ser humano.

(C) sua transformação em áreas de preservação.

(D) maior insolação e umidade e menor variação climática.

(E) alternância de períodos de chuvas com secas prolongadas.



6.

Os desertos são caracterizados por uma ampla variação diurna de temperatura, isto é, os dias são muito quentes e as noites são muito frias. Nas florestas tropicais esta variação é muito pequena e a temperatura é sempre elevada. Isto acontece devido à presença de um componente da atmosfera que atua como isolante que retém o calor recebido pelo solo durante o dia impedindo o rápido resfriamento durante a noite (efeito estufa). Que componente é esse?

(A) Gás carbônico (CO2), que está em excesso nos desertos pela falta de vegetação para realizar a fotossíntese.

(B) Oxigênio (O2) que é liberado em grande quantidade nas florestas pela ação fotossintética.

(C) Água (H2O), presente em grande quantidade na atmosfera das florestas tropicais devido à evaporação e à transpiração.

(D) Cloreto de Sódio (NaCl), presente no solo dos desertos e que é transportado para a atmosfera pela ação dos ventos.

(E) Ozônio (O3), liberado pela intensa ação dos decompositores no solo da floresta.



7.

O bioma brasileiro que apresenta fauna rica incluindo ema, onça-pintada e tamanduá; vegetação composta por árvores e arbustos, com caules retorcidos, casca grossa, folhas espessas, raízes profundas que atingem o lençol freático; solo ácido, deficiente em nutrientes e rico em alumínio; é:

(A) Mata de Araucária

(B) Campos Sulinos

(C) Cerrado

(D) Mata Atlântica

(E) Caatinga



8.

Sabendo-se que “riqueza de espécies” significa o número de espécies presentes em uma determinada área e que a “diversidade de espécies” considera além do número de espécies o número de indivíduos de cada espécie, analise os dados do quadro abaixo e ordene as áreas de maneira crescente (área com menor diversidade até maior diversidade):


Área

Espécies

A

B

C

D

1

97

1

1

1

2

50

20

11

9

3

25

24

25

26

4

79

21

0

0



4

<

1

<

2

<

3



9. (Fonseca, Martha Reis M. Completamente química: química geral. São Paulo: FTD, 2001)

Observa-se que o solo se torna progressivamente mais pobre a cada colheita quando não é adubado e fertilizado adequadamente podendo até torna-se improdutivo.

Explique porque o solo livre de interferência humana (como o solo de uma floresta) permanece em constante produção enquanto o solo cultivado (sob interferência humana) acaba se esgotando quando não recebe adição de fertilizantes.

Resp.: Nas áreas sem interferência humana as folhas, galhos e outros materiais orgânicos que caem sobre o solo são decompostos liberando os nutrientes que serão reabsorvidos pelas raízes das plantas. Já em áreas cultivadas, o material orgânico é retirado durante a colheita. Desta forma os nutrientes não são repostos, e a adubação é necessária.



10.

Para a produção de uma tonelada de matéria orgânica pela fotossíntese, são retirados do ambiente 600 L de água e 1470 kg de CO2 e são devolvidos ao ambiente 1070 kg de O2.

No mapa a seguir está representada a produção anual líquida de biomassa em toneladas de substância por hectare. Pode-se observar que esta produção é maior na região do equador e que vai diminuindo em direção aos pólos. Por que isto acontece?


(SCHULTZ,J. Die Oekozonen der Erde.20 Ed. Stuttgart: Ulmer, 1995)

Resp.: Com o aumento da latitude (do equador em direção aos pólos) a quantidade de energia solar disponível por unidade de área diminui, reduzindo também a biomassa que pode ser produzida por fotossíntese.